considerações do domingo:

agosto 29, 2011

1.
acordo bem comigo mesma mas ao final do dia já estou na mesma miséria de sentimentos. estou tentando no mais íntimo de mim, mas é difícil ficar bem sem você.
2.
talvez ir seja melhor do que ficar. talvez deixar ir seja melhor do que precisar.
3.
depois de ouvir sua voz pequena digo: “ele é muito. é amor descontrolado o que eu sinto por ele. sou totalmente apaixonada por ele, totalmente. assim como eu fui pelo meu pai. amor louco. tudo isso aqui eu faço é por eles dois.”
4.
cantando “vento no litoral” foi que percebi que a saudade ainda doía sem remédio.
5.
os chinelos arrastando de felicidade vão ficar na memória. porque é tão raro..

Anúncios

uma aprendizagem ou o dia dos prazeres.

agosto 10, 2011

Definitivamente, a gente tem que aprender a morrer.
Taí, na tua cara que as coisas não estão dando certo, que tudo está se embaralhando num nó que parece infinito. Que as pessoas e os sentidos carregados com elas não estão fluindo. Que o sentido da tua vida foi esquecido. Que você mesmo se esqueceu. Taí, na tua cara. Mas é difícil ver. É difícil alcançar esse extremo da humildade. De reconhecer e querer outra coisa que não mais essa.

Você precisa cuidar do teu barco! Pra depois navegar por aí, como dizia Caio.

Eu não acredito mesmo que alguém possa oferecer algo a outra pessoa sem estar fazendo, primeiramente, sentido a si próprio. Eu não acredito que possamos viver sem antes ter morrido.

“Semente que não morre não germina.”

E quem diria que numa noite tão armada eu pudesse ver flores?

sobre o desespero.

agosto 6, 2011

Machuca, tudo isso.

Essas pessoas. Esses passos da casa até a universidade. Essas saídas com um esforço sobre-humano para ocupar a cabeça atordoada. Esse quarto com as janelas fechadas. Esses papéis escritos com sangue e lágrimas “saudade”. Essa foto que já tentei arrancar do porta-retrato e da memória. Do dia em que eu me perdi e nunca mais me achei. Do dia que você me pediu tanto para eu te acompanhar e eu não fui e então pra sempre eu te perdi. ME CHAMA DE NOVO PARA TE ACOMPANHAR QUE EU VOU, NÃO PRECISA REPETIR, ME PEDE UMA VEZ SÓ PARA IR COM VOCÊ QUE EU ACEITO, PAI. PRO CEÚ, PRO INFERNO, PRA ONDE FOR, QUERO IR COM VOCÊ. DESCULPA ESSAS PALAVRAS GRITADAS E COM AR DE DESESPERO, MAS EU TÔ COM SAUDADE, COM UMA INSUPORTÁVEL SAUDADE.

ME ESCUTA!

uma história de amor.

maio 27, 2011

Sinto sua falta desde a hora que acordo até a hora de tentar dormir. Sucessivamente todos os dias-meses-anos. No café, que hoje me desce amargo, lembro do seu com bolachinhas água e sal colocadas com tanto carinho no prato: “Come, princesinha”. No almoço lembrando do quão salgada era sua comida. Nas minhas roupas, aquela quadriculada idêntica a sua, cópia em miniatura; roupas que lembro da sua simplicidade e daquela camisa bege que eu tanto insisti pra você trocar. No andar, daquele tempo onde eu tão miudinha caminhava com você, entrelaçando minha mão a sua. Quando chega a hora de dormir, lembro do último dia da gente deitado na cama junto. E busco entre os lençóis o teu cheiro.

De todos as coisas, cafés e mãos, eu procuro o que é teu.

Essa é uma história de amor,

entre pai e filha.

Sinto um imensa e impreenchível falta de você. Ainda não sei falar disso sem chorar de tanta dor e desespero.

a vida é dura.

abril 19, 2011

Image and video hosting by TinyPic

Despedida que virou encontro.

abril 17, 2011

“Sua fragilidade é tão escondida que quem não repara acredita mesmo que é quase de ferro. Mas quem a conhece no profundo sente sua doçura e seu cuidado mais de perto, passa a enxergá-la como alguém que é tão sensível como uma flor, tão amigável, tão confiável que não sente medo de compartilhar seus segredos, nem de derramar lágrimas ou esbanjar sorrisos. As palavras mais sábias, nas horas corretas e lugares escolhidos, assim me refiro a essa amiga, que pude (e posso) contar pra qualquer hora, pois me provaste que a essência vale muito mais que a aparência. É desse tipo de gente que quero a minha volta rodeada, gente como a Clarice, que valoriza a amizade e que não abre mão de uma conversa sincera. Que tem muito sentimento pra dar, que tem muitos medos pra compartilhar, que tem uma vida a abrir.
Talvez ela seja a pessoa que merece uma atenção especial, porque “ô menina difícil de se conquistar”, ela é assim, a gente tem que ir conquistando a confiança dela sabe, não foi fácil não. Parece que ir lidando com ela foi como ir pisando em ovos, que você vai tomando cuidado, com medo que se quebre, que rache alguma coisinha que mal está posta, mal foi construída. E assim os dias foram passando, as conversas fluindo, a amizade crescendo e deu no que deu, um chororô de despedida.”

Palavras de uma querida que esteve querendo me dizer adeus.

é mais.

janeiro 13, 2011

O que tem me incomodado é ouvir sempre a mesma fórmula simplista de que “Foi Deus quem quis”.

Minha tristeza é bem maior que este pensamento imediatista e automatizado. Minha dor não cabe neste suposto consolo.

ir além.

novembro 25, 2010

Se me calo e me agrado diante do trabalhador exausto e expropriado é porque em mim essa exaustão não tem ressonância. Sensações e não-sensações reveladoras da minha indiferença com o pesado fardo que o trabalhador sustenta muito mais por mim e pelos outros que por ele próprio. Se a incessante mão erguida do homem sem teto e sem pão não me diferencia o olhar e nem me faz bater forte o coração, é porque isso tudo está naturalizado em mim.

Mas não está enraizado porque eu não nasci má, nem egoísta. Tudo foi construído, está e continuará sendo construído até que um dia eu me lembre que um pouco de bondade em mim (porque já temos consciência) ressoaria para além do meu eu.

Se é para falar em revolução, que seja uma revolução em nós mesmos.

prefiro acreditar:

outubro 25, 2010

 

que é só em verdade que se conhece o que é o amor.

passado quase presente.

agosto 30, 2010

Ouvindo as pessoas descreverem sua infância, tive saudade de uma coisa que nunca tive. Enquanto as outras crianças brincavam, me lembro de estar recolhida aos cantos, rezando. É isso mesmo, rezando para uma única coisa. Uma frase repetida milhares de vezes. Uma frase misturada com puro desespero, quase loucura.

Estive olhando algumas fotos, todas com muitas pessoas. Para minha surpresa (nem tão surpresa assim, pois está mais para uma confirmação), a única que não está sorrindo sou eu. Quando estou sorrindo, é nitidamente forçado. Mamãe do outro lado falava que eu tinha que parecer simpática, feliz.

Não tenho que parecer, mãe, porque eu não sou. Se eu te contasse, quando ainda pequena, das coisas que me atormentavam você não iria entender. Agora, mãe, a criança cresceu. Mas, infelizmente, minha prece não só não foi atendida como destroçada. E quando eu lhe falo que a prece era por você e pelo papai, você não acredita. Daí você me olha como se eu precisasse de ajuda.

Precisei um dia.

 Não tenho a quem culpar. Vai ver era loucura mesmo.