Archive for outubro \26\UTC 2011

começou.

outubro 26, 2011

misto de raiva e saudade. uma culpa que não cabe em mim.
um martírio.
já sinto vontade de morrer. pra estar perto, pra pedir perdão.
foi o que ficou: um desespero tardio porque é culpa.

quando esse desespero vem é sempre a mesma imagem na cabeça. eu, descontrolada, tentando tirar ele daquele lugar, de dentro daquela caixa, gritando o nome dele. as pessoas olhando pra mim. cheio de estranhos no lugar. tenho certeza que nem metade daquelas pessoas gostavam dele. estão lá por compaixão a mim e a minha família. vocês não entendem. se não entendem não têm o direito de pegar no meu ombro e dizer que tudo está nos planos de deus. meu pai não é igual aos outros. ele não esperava que vocês lhe dessem a mão. ele foi sozinho. desde o começo. sem pai, sem mãe. ele não espera que vocês chorem por ele. me deixa sozinha com ele. grito mais forte pra ver se ele ouve e acorda. gente tentando me tirar de perto. me deixa em paz. me deixa com ele. minhas amigas tentando me acalmar. grito pra elas saírem. grito o nome dele. ele não levanta. não olho o rosto dele pois sei que aquilo tudo é brincadeira e ele vai entrar pela porta rindo da minha cara. grito alto. volta. olha pra mim. não adianta. me tiram de lá. odeio todo mundo e só gosto dele. quero ir até o buraco que cavaram e ficar lá pra morar com ele. pensem o que quiser. eu quero viver com ele.
não deixam.
não me deixam escolher.
eu sou obrigada a levar esse constante martírio de viver e reviver o que me dói. por você, mãe, pois eu sei que você não suporta mais nenhuma perda. nenhuma queda. nenhuma lágrima.
entenda que é só por você, por ele, e pelo pequeno. entenda.

enquanto isso, vivendo por outrem, espero teu sorriso entrando pela porta dizendo que você adora uma aventura e que tudo não passou de uma brincadeira.
estou esperando.

Tudo que eu quero na vida ou Até a vida eu daria.

outubro 16, 2011

É, eu sei que meu desespero é tardio e não te traz de volta. Também sei que já há o cansaço dos meus olhos e dos ouvidos dos outros. É sempre o mesmo murmúrio. Agora dei pra abraçar gente estranha, pois é dor que não cabe num corpo só, tentando de outras formas esquecer. Mas esse esquecimento é só um reflexo da minha insana vontade de te ter por perto.

Saudade, palavra que dói. “Saudade do que poderia ter sido e não foi”. Dói na entonação, nas sílabas, na música do Camelo. Dói cada nota. “Caberia a quem dizer: amor, eu vivo tão sozinho de saudade”.

Amor, o que eu senti por você e não sabia como lidar. Desculpa, eu nunca soube mesmo lidar com o amor. “Às vezes parecem farpas”. Mas o seu amor, eu agora compreendo que foi o mais puro, o mais lindo, o mais sincero, o que eu sempre tive e não consegui ver. Então é isso? A gente perde pra conseguir entender? Quando a vista não mais alcança é quando aprendemos a ver?

Acordo e fico me perguntando como seria te ver hoje e aprender a virar gente grande com você. Tudo que eu quero pra vida.

Mas, pois é, eu sei que meu desespero é tardio e não traz felicidade de volta.

outubro 5, 2011

Ambiciosamente procuro o que me faz sentido. As palavras vão ficando assim escassas. Assim simples. Assim tocando.
Os meus vão ficando assim bonitos. Assim essência.
Assim palpita.

Um desejo profundo por uma paz. Mas não qualquer paz.
Quero aquela que excederá todo entendimento humano.