Archive for setembro \25\UTC 2011

science is easy. love takes courage.

setembro 25, 2011

A gente não passa sozinho, a gente sempre deixa um legado.
Não tentemos explicar a validade da ciência e da crença. Embate infinito. Não me diga que a racionalidade vai salvar o mundo porque estou achando que a tentativa de explicação da ciência sobre a fome e a violência fica na explicação. Temos máquina para produzir comida e temos polícia com metralhadoras de última geração. Mata a fome e a violência? Mata é gente.
Não quero explicar, quero compreender. Estou exausta desse mundo que me diz ser são. Vai, me explica como é que é ser humilde e simples. Me explica como amor pode salvar. Difícil né? Mais fácil é o controle.

Mas viver, viver é puro descontrole. Seguir o caminho do amor e da paz é que é a verdadeira loucura. E essa loucura, irmãos, move tudo.

Quero ver quem tem coragem.

do que fica:

setembro 18, 2011

15/09, noite: o teu olhar sobre o meu, misturado de um pouco de paixão, ou quiçá só companheirismo e amizade, me faz querer pensar em nós dois naquele outro dia da tamanha sintonia. E mesmo o que não foi, o que está por vir ou a minha (quase) convicta ideia de que não mais seremos, não me preocupa. Bastou o teu olhar sobre o meu.
16/09, manhã: do encontro, da realização que é conseguir ser feliz por/com uma amiga. Da benção que é ver sentido.
noite: mesmo sem bebida, cigarro, estranhos e música alta, fomos felizes até em lágrimas.
17/09, noite: tocou aquela nossa música, pai. Mas estive tão bem acompanhada que me ajudaram a suportar. Estive tão bem acompanhada e tão alerta ao que me estava sendo passado que cheguei a sorrir em verdade.
18/09, agora: quero viver.

Eu sei, eu sei que tristeza não tem fim, felicidade sim. Mas let it be.

04/09.

setembro 5, 2011

Tarde de domingo aparentemente tranquila. Às 15h uma voz desconhecida chama: “ô, de casa”. Eu deitada na minha cama finjo não ouvir, “alguém vai atender”, penso. Minha mãe atende com uma voz estranha: “peraí, vou buscar o dinheiro”. A voz dela era de choro. Fico na cama sem entender, finjo dormir. “Filha, vai lá ver, minha filha”, minha mãe fala com a voz ainda de choro. “Vai lá onde? Ver o que?”. Corro pra sala e vejo um placa daquelas de quando as pessoas morrem. Tinha um rosto que não era o do meu pai. “Ainda bem que não é o do meu pai”, digo pra mim mesma. O homem desconhecido entra trazendo um envelope. “Pega pra senhora ver o quanto é pesado, a gente vende muito desse. Eu sou pobre mas sou honesto”. Dentro do envelope outra placa. “Não é possível que seja a do meu pai, pra quê tudo isso?” penso. Minha mãe chega com o dinheiro e verifica o peso da placa e pergunta se é em formato de bíblia. Eu sei que ela também não quer ver. Mas o homem tira e mostra metade da placa, aquela metade que vem escrito um versículo, não sei qual é porque mantenho o olhar desviado, mas deve ser aquele que diz mais ou menos que “quem crê em mim ainda que morra, viverá”. É sempre esse versículo pra todo mundo que morre. Eu já começo a recuar, já começo a voltar pra onde eu estava, na cama, dormindo, esquecendo de tudo. Minha mãe quer garantir o dinheiro gasto ainda que doa mais ver a placa inteira. “Ela é toda assim? Escrito em ouro?” Ela pergunta. “Vou tirar de longe, a senhora nem vai ver a foto dele. Aqui ó, com foto, nome e data tudo certinho”. Vejo tudo, a foto, o nome. Não acredito que é o nome dele. Não acredito que é aquela foto. A foto dele brincando comigo de bola, só comigo, brincando. Cortaram só o rosto e nem parece ele. Me recuo violentamente. Volto pro quarto correndo, chorando. Deito na cama e choro. Me recuso. Não aceito esse simbolismo de morte. Não aceito que me mostrem que ele está morto. Me contorço na cama querendo morrer também.

Como? Uma placa simbolizando a morte dele com uma foto de quando ele era vivo. Brincando de bola comigo, com aquela camisa bege. Não faz sentido. Nada faz sentido aqui.

Deito na cama chorando com vontade de quebrar aquela placa. Loucura. Penso que quebrando a placa ele vai estar vivo. Penso que quebrando o simbolismo da morte ele possa reviver. Penso que quebrando a data da morte eu possa trazê-lo pro meu mundo, onde ele vive, onde eu espero o telefonema dele, onde eu chego em casa e ele me recebe de braços abertos.

Não aceito.