Archive for dezembro \31\UTC 2009

presságio.

dezembro 31, 2009

E eu me pergunto até quando estarei nessa não audiência
de não ter ninguém que me acolha quando grito
aí eu me lembro que tenho amigos
pois é aí que me dói
não pela necessidade de tê-los
mas pela perda da necessidade de tê-los.

É tão frequente nas pessoas essa reclamação de não ter ninguém
que eu sinto que em mim pode ser passageira
não que chegará alguém, pode até ser que chegue
mas não abrirei a porta por já ter perdido a sensibilidade do toque da campanhia.

Em minha casa quase não tem visitas
a não ser o carteiro
me entrega contas para pagar, boletos e promoções
mas nunca cartas.
Se alguém me escrever perguntando “como vai?”
vou dizer que deixei de ir faz muito tempo
e que não conheço mais o caminho, perdi o jeito.
Em minha casa não tem visitas
nem me lembro qual é o toque da campainha.

E até meu jardim deixei de regar
para que as flores ao crescerem, não me alertem que eu também estou viva.

E então eu me pergunto, de novo, até quando isso tem que doer.

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que doa em mim ou em ti?

dezembro 29, 2009

se eu me preocupar demais com o que acontece ao meu redor,

serei doída o tempo todo.

se eu não me preocupar com o que acontece ao meu redor,

deixarei que doam outros.

que doa em mim ou em ti?

doe amor.

“não acomodar com o que incomoda”

dezembro 26, 2009

Quando começo a pensar seriamente na pessoa que fui, na que sou, meu pensamento toma um caminho que sempre pretendi seguir, mas que sempre foi camuflado em coisas que não estabeleciam o que eu realmente queria, ao contrário, me levaram para um caminho totalmente distorcido do que sempre pretendi. Isso agora me incomoda de tal forma que me repugno.

É, realmente, muito difícil pensar que as pessoas só possam mudar por efeito da perda/dor. Posso estar enganada, aliás, queria muito estar enganada, não queria que as coisas fossem assim, nem para mim, nem para ninguém, porque eu sei o quanto é doloroso perder e o quanto é doloroso ter que nascer de novo, estranhar teu próprio jeito de pensar e agir, vir com um novo rosto, com muita sorte um rosto sorrindo. Mais difícil ainda, é ter com quem sorrir. Relacionamentos andam cada vez menos intensos, menos verdadeiros. Eu olho para você e não vejo nada, você olha para mim e eu não pareço amigável. Ver não é conhecer e não quero me acomodar e me basear no ver, quero suspiros, arrepios e sorrisos. E que seja eterno (e verdadeiro) enquanto dure.

Deixo um trecho da Lya Luft:

“A vida é maravilhosa, mesmo quando dolorida. Eu gostaria que na correria da época atual a gente pudesse se permitir, criar, uma pequena ilha de contemplação, de autocontemplação, de onde se pudesse ver melhor todas as coisas: com mais generosidade, mais otimismo, mais respeito, mais silêncio, mais prazer. Mais senso da própria dignidade, não importando idade, dinheiro, cor, posição, crença. Não importando nada.”

início.

dezembro 24, 2009

“Comecemos a evocação por uma célebre tarde de novembro, que nunca me esqueceu. Tive outras muitas, melhores, e piores, mas aquela nunca se me apagou do espírito. É o que vais entender, lendo.”

Dom Casmurro – Machado de Assis